O antes do adeus
- Mariana Bispo
- 19 de jun. de 2020
- 2 min de leitura
“Nunca o teu “até amanhã se Deus quiser” me fez tanto sentido como agora. Está tão difícil ver-te todos os dias e não me puder despedir ao fim de cada um como devia, porque não fazes ideia que no dia seguinte podes não cá estar. É incrível como fazes cada pessoa que entra no teu quarto rir desalmadamente apesar de todos só termos uma coisa em mente, quanto tempo será? Eu sei que falam que nos temos que preparar mas como hei de o fazer se te vejo tão bem exteriormente? Ninguém diria que nos exames és uma árvore de natal toda iluminada. É difícil deitar-me e todas as noites não chorar ao pensar nisto tudo e no surreal que é, mas és tu que me dás força para o dia seguinte, para entrar pelo teu quarto a dentro feliz para rir e falar de tudo um pouco. Já sou uma mulher como dizes, podes fazer aquelas piadas pervertidas com os restantes acompanhantes enquanto estou no quarto, eu não fico encolhida e confusa não te preocupes. Isto é só mais um desabafo que escrevi para ti, e que sei não vais ler porque não te posso contar. ”
Isto foi para ti, muito antes da tempestade toda, isto foi dia 25 de abril, muito antes de todo o drama e azáfama. Ainda hoje te quero aqui a dizer ”até amanhã se deus quiser”. Vô sinto a tua falta, da tua camisa desabotoada até ao umbigo e o colar de ouro a balançar. Sinto falta desse sorriso que dava amor e luz a um Altice Arena esgotado.
Hoje já não choro, só agradeço por ter sido antes de toda esta época, no entanto, fico a dever-te uma volta para ver o mar e uma visita a um bar de meninas 💙



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